Eleições 2018:Lula entrega a Haddad a missão de levar o PT ao segundo turno


Depois de esticar a decisão oficial até o último momento possível, o Partido dos Trabalhadores (PT) confirmou nesta terça-feira o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad como seu candidato à Presidência da República. Haddad assume o lugar do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na cabeça da chapa petista, com a tarefa de levar o partido ao segundo turno e de mostrar aos eleitores que é o verdadeiro herdeiro político do ex-metalúrgico, preso há cinco meses em Curitiba e impedido de concorrer com base na Lei da Ficha Limpa. A troca ocorre no último dia do prazo dado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para que o partido indique o substituto de Lula, cuja inelegibilidade foi declarada em 1º de setembro
A unção de Haddad como candidato presidencial ocorreu em uma reunião da Executiva nacional do PT na capital paranaense. Uma carta do ex-presidente Lula já foi lida na reunião. Segundo fontes, Lula dirá num texto que foi afastado pela Justiça e, assim, obrigado a passar o bastão para Haddad. Ele reafirma, na missiva, que é inocente e desafia Moro e os procuradores da Lava Jato a provarem sua culpa, como tem feito desde o início da investigação. "Levamos a candidatura de Lula até o limite possível", afirmou ao EL PAÍS um membro da Executiva do PT. A decisão oficial do partido será anunciada às 15h desta terça, mas, oficialmente, a campanha do ex-prefeito paulista dará a largada oficial na quarta, com uma reunião da coordenação da candidatura em São Paulo. 
Haddad terá como vice Manuela D'Ávila, do PCdoB, a principal sigla aliada na coligação. A operação de substituição do maior líder petista pelo ex-ministro da Educação vem sendo conduzida diretamente da sala do prédio da Polícia Federal onde o ex-presidente está detido. Nesta segunda-feira, Haddad esteve por duas ocasiões com Lula e cancelou sua participação num ato político em São Paulo que estava previsto para a noite. Dormiu em Curitiba e, na manhã desta terça-feira, se encontrou de novo com o ex-presidente. Deixou a prisão com a carta, posteriormente projetada em um telão da reunião da Executiva.
Carimbada a troca entre os dirigentes partidários, Haddad e as principais figuras do PT, dentre as quais a ex-presidente Dilma Rousseff, retornaram à Superintendência da Polícia Federal, onde um ato político foi preparado. Nele, Haddad deve ler a carta escrita por Lula para os militantes que estão acampados nos arredores da PF em apoio a Lula, num comício gravado pela campanha para ser usado no horário eleitoral.